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sábado, 4 de outubro de 2008

Recebi um e-mail...

Eu estou farta dessa frase: "recebi um e-mail...". Geralmente o que vem por aí não é bom...
As tecnologias que o século XXI nos oferece são tentadoras. A cada dia tornamo-nos mais dependentes de máquinas que fazem serviços que nos perguntamos como é que era a vida sem elas. É difícil pensar que há 20 anos, por exemplo, as pessoas mal tinham telefone em casa, o que se dizer, então, de um telefone individual e portátil, que cabe na palma da mão?
Em contrapartida, essas tecnologias criaram um novo tipo de verdade... a verdade do e-mail.
Vamos pensar um pouco:
Racionalmente falando, como o TRE descobriu o seu endereço de e-mail, para, assim, te informar sobre uma irregularidade com o seu título? Como a Receita Federal descobriu o seu endereço de e-mail para dizer que você vai perder seu CPF? Como alguém vai receber alguns centavos a cada e-mail repassado? Quem paga por isso? Não sou eu, isso eu sei!
Por mais absurdo que pareça, o fato é que, hoje em dia, o e-mail recebido que alguém de confiança, mas não escrito por ele, se tornou uma verdade absoluta e inquestionável.
Por exemplo: o acordo ortográfico. O que ninguém sabe – e que é realmente verdade sobre o assunto – é que as discussões relativas ao acordo ortográfico começaram na década de 90!!! Como você recebeu isso por e-mail no mês passado, parece que é notícia nova, mas... não é!
Outro: a história do voto nulo. O e-mail é uma gracinha, incentiva o voto nulo, como se ele fosse um voto de protesto. O texto “esclarece” o eleitor, dizendo que o voto nulo é capaz de anular uma eleição. O que o e-mail não explica é o conceito adotado pelo TRE de “voto válido” e “voto inválido”.
O voto válido é o voto em alguém ou em alguma legenda. O voto inválido é o voto branco ou o voto nulo.
Em termos práticos: há cidades brasileiras onde houve apenas um candidato a prefeitura. Tal candidato pode ser eleito se apenas ele votar em si mesmo. E será eleito com 100% dos votos válidos, independente do número de votos brancos ou nulos que existirem. Você pode conferir essa informação.
Eu não consigo entender como essa informação via web tornou-se, em tão pouco tempo, mais verídica do que qualquer outra fonte.
Quem me dera todos os cidadãos brasileiros, principalmente os usuários da internet , fossem como os crentes de Beréia.

"Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo."
(Atos 17.11)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Contradições

Uma amiga me disse que eu sou uma pessoa contraditória. “Contraditória?” perguntei. Ela respondeu que era no bom sentido, porque eu tenho posturas extremamente firmes que revelam quem eu sou e em que eu creio e, por outro lado, eu tenho hábitos e práticas que não são freqüentes em quem tem tantas convicções. Concluindo, ela me disse que era bom conversar comigo porque ela se sentia mais leve ou menos culpada por coisas que ela fazia.
Ouvir isso me deixou muito feliz, porque me senti bastante verdadeira, autêntica, sem máscaras. Quem sabe isso já seja um pequeno vislumbre de qualquer coisa parecida com o cristianismo autêntico. Quem sabe eu já tenha alguma semelhança com Jesus?
A Bíblia não pôs máscaras em ninguém ao retratá-los. É de conhecimento público que Davi, homem segundo o coração de Deus, era adúltero; que Noé era beberrão; que Moisés era homicida; que Salomão construiu o templo e foi o primeiro a profaná-lo. Se todos ficaram sabendo dos erros deles, por que os meus ficam escondidos, se é Cristo quem me justifica?
Jesus era tido como contraditório também. Ele pregava um padrão de vida excelente, mas andava cercado por prostitutas, ladrões, cobradores de impostos e toda a corja indesejável de Israel. Ele pregava o amor, mas provocou um belo prejuízo aos comerciantes das imediações do templo.
Paulo diz que Deus usou as coisas loucas do mundo para confundir as sábias. Isso também é contraditório. Jesus disse que quem quisesse ganhar a própria vida, a perderia, e quem a desse, ganhá-la-ia.
O cristianismo é cheio de contradições. O evangelho é loucura.
“Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos,
e a verdade não está em nós.”
(1João1.7)