terça-feira, 25 de novembro de 2008

Jesus mandou levar a cruz, mas...

Há quem insista em trazer a arca.

Ao ler a Bíblia, me deparo com ensinamento que me pareciam muito claros. Amai os vossos inimigos. Fazei o bem àqueles que vos perseguem. Orai pela paz em Jesusalém. Não julgueis para não serdes julgados. Sede meus imitadores. Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Tomai a cada dia a sua cruz e siga-me.
Esses ensinamentos deixam de ser claros para mim quando olho para a realidade, para o cotidiano. E aí fico espantada. O que me espanta é que a cada dia ao invés de ver pessoas que optam por seguirem Jesus levando a Cruz, eu as vejo "trazendo a arca", exigindo de Deus, ameaçando os inimigos, declarando guerra a tudo e a todos, se omitindo em fazer o bem e desconhecendo o significado da palavra "testemunho".
O pior dessa história toda é que as referências não se limitam apenas à arca, mas também toda a sorte de anacronismos, impropérios, absurdos e descompassos entorno da palavra de Deus.
Na verdade, acredito que o problema esteja no "entorno da palavra de Deus", porque a "palavra de Deus" definitivamente não é consultada, logo nem pode ser seguida ou obedecida, pois ela é desconhecida. Aí criam-se as "teologias de botequim" que permeiam as músicas, pois essas são ouvidas, cantadas e até seguidas.
Bom, temos então mais um problemas, que é o conteúdo das músicas da moda.
É por isso que eu odeio moda. Clássico não envelhece. O vestidinho preto sempre está em alta. A moda muda sempre e, quando passa, se torna ridícula. O mocassim verde limão não está mais nas ruas (ainda bem). "Castelo Forte" tem mais de 400 anos, é um clássico. "Não há Deus maior" (que tem uma letra legal) não tem nem 15, já está velha.
Movidos pelos mais diversos modismos: noivas, leões, arcas, altares, filhinho, Abba, cordeiro etc, surgem as mais diversas "teologias de botequim" e com elas uma música que as fundamente, com uma base bíblica extremamente frágil e descontextualizada. Eu não sei se fico espantada ou deprimida ao ouvir a enorme quantidade de contra-sensos que assolam a música gospel brasileira, as conversações crentes e até algumas pregações...
Os valores estão trocados: quem era servo hoje pensa que é Senhor; aquele que era administrador (mordomo), hoje pensa que é dono, e Deus deixou de ser Deus e se tornou um gênio da lâmpada, sempre pronto a satisfazer os mais bizarros desejos de seus "amos".
É muito triste pensar que a mensagem de Jesus está sendo tão grandemente distorcida. Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições, ou seja, a vida não seria composta apenas por vitórias, felicidades e alegrias. E eu ouço algo como "chegará a minha vez"???
Eu me pergunto: quando foi a vez de Estevão? O apedrejamento? E a vez de Tiago? Foi ao ser atravessado por uma espada? E a vez de Paulo? Foram os açoites, os apedrejamentos, as perseguições? E a vez de Jesus? Deus não O livrou da cruz. E Jesus não pediu para estar livre da Cruz, seu desejo era obedecer ao Pai.
Obediência. Talvez seja essa a palavra que falta.
Há outras: submissão, arrependimento, confissão, servidão. São essas as palavras que se associam à cruz. Jesus mandou levar a Cruz, Ele não mandou trazer a Arca.

4 comentários:

  1. Erica
    impactante,somos tão egoistas,pensando questionando DEUS pq passamos por aflições q esquecemos que o preço q Jesus Cristo pagou por nós não chega nem a 10% do que passamos neste mundo.Resalmente essa mensage é´para se ler e refletir,ela veio como como um alerta ao meu coração

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  2. parabéns, irmã, pela palavra!

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